O Corinthians foi muito bem. Fez algo que o São Paulo normalmente não enfrenta: marcação alta. Ainda que os zagueiros dos São Paulo tenham boa saída, são zageuiros e pressionados podem cometer mais erros.

Mas foi o São Paulo que marcou de cabeça, com Miranda - em uma jogada que o zagueiro emopurrou Chicão e estava impedido. O detalhe, porém, é que Washington foi acintosamente agarrado por William. Um pênalti escandaloso, que o juiz não viu. Mas o gol foi validado.

O Corinthians, que jogava melhor, conseguiu o empate poucos minutos depois, com Elias, em jogada individual. Um belo gol do camisa 7, que acabou por ser um dos melhores do timão no jogo.

O São Paulo conseguiu equilibrar o jogo com o seu estilo, muito cadenciado, claramente se propondo mais a travar o jogo do que a deixar jogar.

O jogo ficou equilibrado até o lance que o juiz expulsou, na minha visão equivocadamente, o André Dias. Aí realmente virou uma pressão sufocante do Corinthians, que por muito pouco não marcou por duas ou três vezes.

Quando entrou Dagoberto no São Paulo, o time melhorou. Washington estava muito isolado e em um jogo que o São Paulo chegava tão pouco, nem a bola alta adiantaria. Valia mais apostar na velocidade e maior técnica do Dagoberto com o Borges. E melhorou mesmo. O São Paulo conseguiu algumas boas aproximações, todas em contra-ataques.

O Corinthians continou bem. O segundo gol aconteceu por um erro - o segundo no jogo - do Jorge Wagner, que perdeu uma bola onde não podia perder. Ele já tinha perdido a bola no lance que o Ronaldo quase marcou -  e que André Dias acabou expulso.

O gol de Cristian foi um golaço. Um chutaço de fora da área. Rogério Ceni nem esperava o gol. O estádio tinha maioria absoluta de torcedores do Corinthians, mas Cristian comemorou provocando a torcida do São Paulo, visitante do dia.

Semana que vem o Corinthians precisa só de um empate. Os dois times viajam no meio da semana para jogar a Copa do Brasil, no caso do Corinthians, e a Libertadores, no caso do São Paulo. Domingo, no Morumbi, ninguém vai querer saber de perder a vaga para a final.

A polêmica do matador K9

Keirisson se prepara para a cobrança de pênalti. O placar mostra 1 a 0 Palmeiras no clássico contra o Santos. A torcida no Palestra Itália está na expectativa. O jogador corre, bate e marca.

Na comemoração, Keirrison, que já ganhou o apelido de K9, sai atirando como se tivesse uma metralhadora nas mãos.

Pronto. Suficiente para criar polêmica com uma parte da imprensa. Politicamente incorreto, dizem. Em tempos de violência, esse tipo de gesto incentiva mais ainda a violência. Será mesmo?

O problema da violência não é esse. A maioria concorda com isso. Há muito tempo, quem faz muitos gols é chamado de artilheiro, matador. Esse tipo de comemoração não é nova.

Como bem disseram no Redação Sportv desta segunda-feira, a palavra "artilheiro" tem origem bélica - é aquele que fica na metralhadora. Matador é consequência disso.

Sinceramente, não vejo grandes problemas com isso. Não é a melhor das comemorações, nem a mais bonita. Mas condenar um jogador por ela também é um pouco demais. Quando usamos essas expressões, não nos referimos à sua origem. Já ganhou um novo significado.

Não que a origem deve ser desprezada, mas fazer tempestade em copo d'água também não vai resolver o problema. Em outros países, mais desenvolvidos, esse tipo de polêmica é muito menor.

Para terminar com um outro exemplo, no clássico de ontem entre Guarani e Ponte Preta, o atacante Fernando Gaúcho fez um golaço e empatou o jogo. Saiu comemorando atirando flechas - lembrando o mascote do Guarani, um índio. Será que esse também é um sinal de violência?

Um jogo nervoso. Pressão do time da casa, com uma imensa torcida pintada de azul e amarelo. Uma nação, que pressionou. Um time de camisas listradas, com personalidade para sair tocando a bola da defesa. Era o Fluminense jogando contra o Boca Juniors, ba Argentina.

Riquelme olhava para trás e via Arouca. Se movimentou. Viu Arouca se distanciar um pouco. Percebeu que o jogador do Flu deixava um espaço perigoso. Consegue receber a bola e tocar curto para Palermo.

Palermo, aquele jogador chamado de grosso, ridicularizado por perder três pênaltis em um só jogo, lançou o seu companheiro de ataque, Palacio, pela direita. Em velocidade, ele cruza, rasteiro.

Riquelme olha. Arouca está longe, longe. Ele vê o cruzamento de Palacio, enquanto corre para a pequena área. Recebe e toca, de primeira, para o fundo do gol.

Agora, seria difícil segurar a pressão do time Xeneize. A nação azul e amarela vibra, grita, se emociona. O Fluminense precisa se acalmar. Toca a bola. Ganha falta. Põe na área. Thiago Silva vê Palermo lá de cima. Toca para o gol, de cabeça. É o empate.

O segundo tempo foi de muita pressão do Boca. Uma pressão que parecia insustentável. Falta. Discussão. "Pô, juiz, a barreira tá andando", deve ter gritado Riquelme. Demora na cobrança da falta. Foi em uma posição parecida que Román fez os seus dois gols contra o Chile, com a camisa da Argentina.

Mas a falta ainda não foi batida. Já se passaram quase dois minutos. O juiz dá cartão ao homem-base da barreira do Flu. Romeu, que tinha acabado de entrar. Riquelme não faz menção de cobrar a falta. Reclama da pouca distância da barreira. O juiz o adverte com cartão amarelo.

Falta cobrada. Desvio na barreira. O estádio vem abaixo. O Boca se abre ainda mais. Quer mais gols. Pressiona. Palermo, Dátolo, Ibarra, que entou depois. Riquelme, Palacio. Pressão. Bola na trave. Bico da zaga brasileira. Chutão para frente sem nenhuma vergonha.

Contra-ataque. A bola sobra para Thiago Neves, da entrada da área. "Chuta Thiago, chuta!", imaginou Renato Gaúcho. Ele chuta. Deve ter se decepcionado com o chute. No meio do gol. Mas futebol tem coisas inacreditáveis. Miglori, goleiro reserva do Boca, vê a bola escapando de suas mãos. Tenta recuperá-la, dramaticamente. Não consegue. É o empate do Fluminense.

Boca inteiro para cima. Fluminense inteiro para dentro da área. Bola tocada pela lateral, tentativa de chute. Chutão da zaga. Chutão para frente. Toca para o lado. Joga para escanteio. Contra-ataque, chance de... Perder a bola. Joga para o lado, joga para a área do Fluminense. O Boca pressiona, faz força, quer a vitória.

Contra-ataque. O Fluminense tem duas, três bolas para contra-atacar. É a chance. Pode decidir. Não consegue. Volta para a sua área, para defender um resultado bom. Chegam os 44 minutos do segundo tempo. O time inteiro do Flu, no banco, pede o fim do jogo.

Sai camisa dez, entra zagueiro. Espana, toca, tira dali. Chuta para frente. O empate se aproxima. O time das camisas listradas, desconhecido, segundo alguns argentinos, parece grande. Segura-se como pode. Tenta contra-atacar.

O juiz põe fim a um jogo incrível. Agora, são outros 90 minutos no Maracanã. Que o Fluminense não se engane: a peleja só começou. O Atlas, que conseguiu o mesmo resultado que o Flu, tomou três gols em 45 minutos dentro de casa e deu adeus.

O Fluminense precisa jogar com a mesma pesonalidade e técnica no segundo jogo. Assim, terá chances de chegar à sua primeira final na história.

O Palmeiras venceu o jogo de maneira justa contra o São Paulo. Jogou mais, ganhou o jogo e vai às finais. O Parque Antártica mostrou-se um estádio capaz de receber o jogo no quesito segurança dos torcedores. Mas o episódio do gás manchou o que teria sido uma tarde perfeita nesse sentido.

Independente de quem tenha sido - essa parte é trabalho da polícia -, é fato que o Palmeiras deveria ter se precavido contra esse tipo de ocorrência. Principalmente porque as diretorias do São Paulo e do Palmeiras inflamaram a rivalidade além da conta, o que pode ter passado para os torcedores. Um desses pode ter sido o autor.

O fato é que o jornalismo esportivo só fala nisso, mesmo depois de dois dias do final da partida. E já passou da hora de parar de especular sobre isso. O caso foi grave e merece investigação. Cabe ao jornalismo acompanhar as investigações, mas sem especular.

Qualquer editoria de esportes dos diversos veículos de comunicação de São Paulo estão tratando desse assunto como pauta. É um fato que precisa ser relatado. Mas é só. Criar teorias conspiratórias é algo que não deveria ter espaço na mídia.

Espero que amanhã os assuntos no jornalismo sejam outros.

Adriano e o padrão europeu

Quando Adriano ganhou fama na Europa, muita gente ainda não o conhecia. Ao menos essa é a minha tese para que eu tenha ouvido tantas vezes, quando ele estava por lá, que ele era só um "centroavante trombador".

Agora, jogando no Brasil, mais próximo dos olhares do grande público brasileiro, a coisa parece que mudou. Ele é chamado de diferenciado por muitos - inclusive a imprensa.

O curioso dessa história é que na Europa Adriana fazia muito mais gols como jogador "diferenciado": chutes de longa distância, cobranças de falta, arrancadas com dribles. Aqui no Brasil, pelo seu porte físico e sua força, Adriano está sendo usado como um jogador totalmente de área, um típico centroavante. Fez a maioria absoluta dos seus gols de cabeça - dos 13 marcados até agora, oito deles foram dessa forma.

De fato, Adriano é sim diferenciado. Mas não apenas pela força física ou pelo jogo aéreo. Aliás, na Itália essa não era nem considerada a especialidade do "Imperador". Lá, os seus chutes eram considerados o seu diferencial.

Lembro de um lance de Adriano contra o Valencia, quando deu um drible no zagueiro pisando na bola e jogando por baixo das pernas do marcador. Graças ao Youtube e à memória eterna que a Internet proporciona, você pode assistir a esse lance aqui embaixo. Veja como Adriana caía pelas pontas, buscava o jogo no meio-campo e preparava jogadas para o centroavante típico da Inter na época, o italiano Vieri:


E uma das coisas boas de Adriano estar no Brasil - além do óbvio, vê-lo em ação em campos brasileiros - é trazer a discussão sobre o rigor da arbitragem brasileira. Aqui, os árbitros dão cartões amarelos em lances que sequer seriam faltas na Europa.

A discussão levantada por Vanderlei Luxemburgo, sobre uma suposta falta de Adriano sobre Pierre, no lance do segundo gol do São Paulo na vitória por 2 a 1 sobre o Palmeiras hoje, é infundada. Não há como impedir que o contato aconteça e, nesse caso, a força de Adriano fez a diferença.

Mas no próprio lance da finalização, o atacante mostrou que não é feito só de gols de cabeça. A calma para tocar, com categoria, no canto de Marcos é um bom exemplo para lembrar do Adriano que arrasou o Valencia no vídeo acima.

A vantagem do futebol inglês


Há tempos ensaio falar sobre esse assunto e esse parece o momento mais apropriado para isso - dos quatro semifinalistas da Liga dos Campeões da Europa, três são ingleses: Liverpool, Chelsea e Machester United. Certamente, não é à toa.

O campeonato inglês é hoje o que movimenta mais dinheiro em transmissões televisivas. É um dos mais estrelados também - o que alguns afirmam ser a causa da seleção inglesa não conseguir bons resultados, embora, nesse caso, eu discorde.

A grande diferença entre o futebol brasileiro e o futebol inglês são os jogos de times grandes contra pequenos e, principalmente, entre um time médio e outro pequeno. No campeonato inglês, os jogos tendem a er mais interessantes. Fruto, claro, de times médios e pequenos com muito mais dinheiro do que os seus equivalentes no Brasil. Mas há outros fatores.

Os campos ingleses são, vida de regra, tapetes que dá gosto até para quem assiste. Os times fazem um jogo tático muito mais intenso - mesmo quando não há grandes jogadores em campo. Isso acontece porque os nossos times médio e pequenos - e até os grandes - estão com sua qualidade muito menor do que alguns anos atrás. A concorrência com o dinheiro do futebol no exterior tem tirado muitos jogadores de qualidade razoável - os melhores já estão na Europa desde muito cedo.

Seja como for, é mais interessante assistir a um jogo entre Tottenham e Middlesbrough do que Figueirense e Goiás. Mas, ao menos em termos de emoção, o Campeonato Brasileiro ainda consegue concorrer bem com a "Premier League".

Veja um vídeo com alguns lances da Premier League 2007-2008.


Isso por uma razão bastante simples: é dia de campeonatos estaduais. E, infelizmente, tem sido dia de jogos de dar sono. Diria que talvez só os fanáticos por futebol e os profissionais que trabalham com o futebol - como a minha classe, de jornalistas - assistem aos jogos.

Isso foi citado pelo Sergio Xavier, no excelente blog da Placar. Os estaduais estão de dar sono! O motivo é simples: excesso de times. Imagine um campeonato paulista com 12 times. Não seria fantástico? Todas as roadas valeriam muito, o número de times participantes teria um nível muito melhor e os jogos seriam mais disputados!

Mas colocar menos times é fazer menos política, agradar menos gente e ter menos votos, menos poder e menos influência no futebol. Por isso a federação paulista se mantém nessa posição de fazer um campeonato inchado de 20 times, sendo que muitos deles são times de araque: montados apenas para a disputa do estaual, depois se desmontam e ficam o ano inteiro esperando de novo pelo campeonato regional...

Que as federações pensem melhor, ou os estaduais vão parecer cada vez mais "emocionantes", com jogos como Cardoso Moreira e Resende no Rio, Rio Preto e Rio Claro em São Paulo, Democrata-GV e Democrata-SL em Minas e outros "clássicos" Brasil a fora...